Deixava os seus filhos com desconhecidos?

São cada vez mais os momentos em que se veem jovens, crianças e pais agarrados aos dispositivos eletrónicos, a realidade é que as nossas vidas estão cada vez mais concentradas naquelas pequenas caixas que trazemos no bolso, como se de uma parte do corpo se tratasse! 
Este impulsivo recurso ao telefone faz inevitavelmente parte da vida actual, mas quando perceber que já passámos o limite do razoável? 
A que sinal devemos estar atentos para percebermos que já passamos o consumo inevitável e “saudável” de tecnologia? 
A verdade é que se por um lado a tecnologia nos facilita em muito a vida, também está a contribuir ativamente para degradar o que de mais precioso temos – As Relações Humanas. 
Neste momento vemos casais em silêncio, amigos à volta de uma mesa sem comunicar, crianças sem brincarem e todos eles têm muitas vezes uma coisa em comum, um telefone em cada par de mãos! 
Se isto se torna preocupante ao nível das relações humanas, mais perigoso se torna quando se fala de crianças e jovens que ficam desde cedo habituados a ter companhia, atenção, validação e estimulação através desta caixa mágica que nos leva para qualquer lugar do mundo em segundos, mas que também traz toda a informação do mundo para dentro das nossas vidas! 
Se nos adultos as fake news podem orientar decisões incorrectas, nas crianças e nos jovens a situação é muito mais grave, ficando eles totalmente permeáveis ao que lhes quiserem ensinar e a todo o tipo de comportamentos a que os queiram incentivar! 
E podem perguntar, mas como? 
Isto acontece exactamente pela desconexão que existe nas nossas vidas, dentro das nossas casas e nas nossas famílias e de repente aquele “amigo” do chat do jogo torna-se alguém muito importante porque está lá, porque diz que joga bem, porque elogia, porque compreende, porque valida, porque aparentemente está presente e conectado! 
Como dizer não a quem nos vê, e nos faz sentir especial num ambiente onde não nos sentimos vistos? 
É assim que vão ficando vulneráveis à manipulação destes “amigos”! Cada vez que deixamos os nossos queridos filhos sozinhos com um telefone, estamos na realidade a deixá-los sozinhos, nas mãos de desconhecidos!

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Autor: Raquel Calapez

Eu sou aquilo que escolho ser!

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