COMO POSSO AUMENTAR A CONEXÃO COM OS MEUS FILHOS?

Dia 28 de Abril – “Fim-de-semana grande! Que maravilha! Óptima oportunidade para estar com os meus filhos, fazer coisas em conjunto e melhorar a nossa conexão! “

Dia 2 de Maio – ” Despachem-se! Estamos atrasados!” – “O fim-de-semana passou, já estamos outra vez com a velocidade dos dia-a-dia e não consegui estar com os miúdos, passei o fim-de-semana a trabalhar e a arrumar coisas em casa. Fomos à praia à pressa, mas encontrei um casal amigo e acabei por estar o tempo todo a falar com eles enquanto os miúdos brincavam. Pensei em fazermos um jogo à noite, mas eles estavam impossíveis de aturar, e fui deitar-los!, Acabámos por não fazer nada do que queríamos fazer juntos. Sinto-me triste! “

Muitos dos pais que me procuram relatam que os seus fins-de-semana acabam por passar muito rápido e as suas intenções iniciais nunca se concretizam! Fazer o planeamento daquilo que gostávamos de fazer, pode ajudar a concretizar as intenções iniciais para a distribuição do tempo.

Mas como crio momentos de partilha e conexão com os meus filhos?

Para nos conectarmos às crianças precisamos primeiro que tudo de nos conectarmos a nós próprios, se não estivermos em harmonia connosco dificilmente vamos conseguir estar realmente presentes quando estamos com as crianças, e elas conseguem perceber perfeitamente, quando estamos ali só a “fazer número”.

Há também algumas actividades que podemos fazer com as crianças e que estimulam a conexão e a partilha de bons momentos:

  • Praticar um actividade física na qual todos participem, por exemplo, ténis, canoagem, Padel, Surf, Patinagem ou andar de bicicleta.
  • Uma caminhada é uma óptima forma de relaxar e criar histórias em conjunto
  • Fazer jogos de tabuleiro
  • Visitar um museu, preferencialmente daqueles mais adaptados a crianças onde estejam disponíveis actividades que os envolvam
  • Fazer um diário de família e preenchê-lo diária ou semanalmente
  • Cozinhar em conjunto, se estimularmos as crianças a participarem na confecção das refeições, esse tempo passa a ser um tempo de família também.
  • Ler em conjunto e falar sobre a história do livro
  • Expressão artística – podem usar diferentes materiais para criar em conjunto
  • Criar tradições e costumes familiares, por exemplo preparar um jantar especial num dia de semana.

Em suma, para nos conectarmos às crianças bastam alguns ingredientes básico:

  • Harmonia interior
  • Vontade real de passar tempo em conjunto
  • Curiosidade
  • Criatividade

Certamente, é importante para os pais criarem conexões mais fortes com os seus filhos, especialmente nos dias de hoje, quando muitas vezes há muitas distrações e exigências de tempo. No entanto, é importante lembrar que cada família é única, e nem todas as atividades mencionadas serão adequadas para todas as famílias. O mais importante é encontrar diferentes maneiras de passar tempo juntos que sejam agradáveis e significativas para todos os membros da família. Um relacionamento forte entre pais e filhos, traz inúmeros benefícios para ambos, incluindo maior confiança, comunicação aberta e uma sensação de pertença e segurança. Por isso, vale a pena investir tempo e esforço em criar conexões mais fortes com os seus filhos!

Raquel Calapez

Foto de Ricardo Moura na Unsplash

Porque tenho dificuldade em acreditar em mim?

Nascemos com duas necessidades básicas: a necessidade de apego e de autenticidade. O apego é uma forte conexão emocional estabelecida normalmente com a mãe ou com o cuidador principal que, para além de nos assegurar a sobrevivência, nos dá carinho, conforto e amor. Todos os mamíferos têm este instinto e necessidade de apego, no entanto, os humanos são os mamíferos com maiores necessidades de cuidado na altura do nascimento porque nascemos muito imaturos face aos outros mamíferos, por isso a nossa sobrevivência depende totalmente desta relação de apego. A outra necessidade básica que temos é a de autenticidade, isto é de estarmos ligados ao nosso “eu”, de reconhecermos as nossas sensações físicas, emocionais e de as respeitarmos.

À medida que vamos crescendo estas duas necessidades básicas vão-se tornando incompatíveis porque desde cedo aprendemos que, quando somos nós próprios, colocamos a nossa relação de apego em causa. Mas como é que isso acontece?

Quem na sua infância não foi ouviu coisas como:

  • “Não interessa se tens calor, já te disse que tens de vestir o casaco porque está frio!”
  • “Não podes fazer isso, eu não gosto!”
  • “Eu não tenho tempo para brincar agora, eu tenho coisas mais importantes para fazer.”
  • “És muito irritante, deixa-me em paz.”
  • “Eu não gosto de ti quando te comportas assim.”
  • “Tu és uma criança má.”
  • “Se não parares de chorar, eu vou-te dar um motivo para chorares.”
  • “És sempre um problema para mim.”
  • “Porque não és mais parecido com o teu irmão?”
  • “Eu não acredito que fizeste isso outra vez!”
  • “O que tu queres não é importante.”
  • “Eu não tenho paciência para te aturar.”
  • ” Já estragaste o meu dia com essa birra.”

A lista poderia ser muito maior, mas penso que chega para ilustrar as coisas que muitas vezes os pais vão dizendo aos filhos e que nos vão ensinando aos poucos a abdicar da nossa autenticidade porque não queremos perder o apego.

Se se colocar na cabeça de uma criança, ou melhor ainda, se conseguir pensar em si em criança, o que mais temia? Claro! Alguma coisa relacionada com os pais, perder os pais, os pais ficarem zangados consigo, os pais deixarem de gostar de si, os pais gostarem mais do seu irmão do que de si e infelizmente para muitos, o medo era de ser maltratado ou de ser emocionalmente magoado.

Consegue imaginar o medo e a dor que uma criança pode sentir ao perceber que pode perder ou colocar em risco a sua relação de apego com os pais? É por isso que aos poucos vamos perdendo a nossa autenticidade, vamos deixando de estar conectados a nós próprios, porque entre deixar de ser ela própria ou perder o amor dos pais, a criança prefere seguramente abdicar de si mesma!

Em criança vamos devagarinho desconectando-nos de nós mesmos, procurando o apego em detrimento da autenticidade, em adultos, surgem dificuldades ao nível da auto-confiança a nível pessoal e profissional, problemas relacionais, tendência para estabelecer relações tóxicas e uma vida muito pautada pelo medo e pela insegurança!

Ao melhorarmos a nossa comunicação com as crianças, damos mais espaço a que possam ser elas próprias, criando um terreno fértil para erguer uma estrutura interna mais forte e coesa!