A Teresa sentia sempre culpa por tudo o que não funcionava na sua vida. Quando as coisas não aconteciam como inicialmente planeado, ela sentia-se imediatamente responsável e passava os dias a pensar sobre o que poderia ter feito diferente. Esse padrão de comportamento tornou-se tão marcado na sua personalidade que ela passou a identificar-se com a culpa.
Certo dia, a Teresa percebeu que se deixasse de se sentir culpada por tudo, parecia que estava a perder a sua identidade. Ela questionou-se se seria possível ser outra pessoa sem a culpa que a acompanhava constantemente.
Decidida a mudar essa situação, Teresa procurou ajuda profissional. Durante as sessões ela aprendeu a identificar e desafiar os pensamentos disfuncionais que a levavam a sentir-se constantemente culpada e também aprendeu a perdoar-se a si mesma por erros do passado e a praticar a compaixão.
Com o tempo, a Teresa percebeu que deixar de se sentir culpada não significava perder a sua identidade, mas sim a libertação de um padrão de comportamento negativo que a limitava. Ela começou a experimentar uma maior sensação de leveza e confiança em si mesma, e encontrou novas formas de se relacionar consigo mesma e com os outros.
Desta forma, a Teresa descobriu que a culpa não precisava de ser uma parte indissociável da sua identidade, e que ela poderia definir-se por muitas outras características positivas e saudáveis.
Raquel Calapez
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