Novos propósitos do trabalho

Ao longo da evolução humana, a atitude relativamente ao trabalho tem sido variável e evolutiva. Desde os primeiros hominídeos até às sociedades modernas, o trabalho tem sido fundamental para a sobrevivência e o desenvolvimento humano, mas a forma como o encaramos e valorizamos tem mudado significativamente.

Os primeiros hominídeos, passavam a maior parte do tempo à procura de alimentos e proteção contra predadores. O trabalho era essencialmente uma atividade de subsistência, que era realizada por necessidade e não por escolha. Ainda assim, o trabalho também servia para melhorar as habilidades e a coordenação do grupo.

Com o desenvolvimento de ferramentas mais avançadas, como a pedra lascada e o fogo, o Homo erectus foi capaz de aumentar a eficiência da sua caça e coleta de alimentos. Esse avanço permitiu a criação de excedentes de alimentos, o que levou ao surgimento de comunidades mais complexas, como as tribos.

Há cerca de 10000 anos atrás surgiu a agricultura, o homem deixou de ser nómada e com a sua sedentarização apareceram as primeiras aldeias. Os postos de trabalho estavam relacionados com o cultivo dos campos e a subsistência.

Durante a Idade Média, o trabalho era considerado um dever divino e uma forma de penitência. Os trabalhadores eram frequentemente escravizados e os que não o eram estavam absolutamente subordinados aos seus senhores feudais para quem trabalhavam longas horas em troca de uma pequena parcela da produção agrícola.

Ainda assim, a atitude em relação ao trabalho começou a mudar com o surgimento do comércio e da manufatura, levando ao início da Revolução Industrial que teve início em Inglaterra no século XVIII, trouxe mudanças significativas na forma como o trabalho era visto e realizado. A mecanização da produção permitiu a produção em massa de bens e serviços, e o aumento da produtividade resultou em ganhos económicos significativos. No entanto, o trabalho também se tornou mais monótono e repetitivo, e a classe trabalhadora tinha frequentemente condições de trabalho deploráveis

No século XX, a atitude em relação ao trabalho começou a mudar novamente. Com a crescente consciencialização dos direitos dos trabalhadores, as condições de trabalho começaram a melhorar e a jornada de trabalho foi reduzida. O trabalho passou a ser visto como uma forma de realização pessoal e de contribuição para a sociedade. A crescente ênfase na educação e na especialização também levou a uma valorização do conhecimento e das habilidades, o que culminou com o aparecimento de novas necessidades e novas profissões mais gratificantes.

Com o avanço da tecnologia, muitas profissões estão a mudar ou a desaparecer e outras vão surgindo, o que levanta questões sobre o futuro do trabalho. Ao mesmo tempo, o crescimento exponencial do conhecimento e da inovação geram novas oportunidades de trabalho em áreas tecnológicas.

Os jovens de hoje em dia estão a mudar a maneira como encaram o trabalho. O conceito tradicional de um emprego estável, com horários fixos e benefícios previsíveis, está sendo desafiado por uma nova geração de trabalhadores que valoriza a flexibilidade, a autonomia e a realização pessoal. Já todos ouvimos falar na geração Z e na sua forma de viver a profissão.

Uma das principais razões para essa mudança é o crescimento do trabalho remoto, que oferece a oportunidade de trabalhar de forma independente e progredir na carreira de uma forma que se adapte às suas necessidades e interesses. Com a tecnologia cada vez mais presente em nossas vidas, o trabalho remoto tornou-se uma opção viável para muitas pessoas, permitindo que trabalhem de qualquer lugar com uma conexão à internet. Isso dá aos jovens a liberdade de escolher onde e quando trabalham, o que pode ajudá-los a equilibrar suas vidas pessoais e profissionais de maneira mais eficiente.

Além disso, muitos jovens estão à procura de trabalhos e profissões que ofereçam mais do que apenas um salário. Eles querem sentir que estão a contribuir para uma causa maior ou a desenvolver um trabalho que traga um impacto definitivamente positivo para a sociedade. Isso pode incluir trabalhos em organizações sem fins lucrativos, empresas sociais ou empresas que têm um forte compromisso com a sustentabilidade e a responsabilidade social.

Outra tendência entre os jovens é a busca por empregos que permitam que eles usem suas habilidades e interesses pessoais. Muitos estão dispostos a sacrificar um salário mais alto em troca de um trabalho que lhes dê a oportunidade de fazer o que realmente gostam. Por exemplo, um jovem que é apaixonado por fotografia pode escolher trabalhar como fotógrafo freelance em vez de aceitar um emprego que o faça estar num escritório.

Em resumo, o novo conceito de trabalho para os jovens é mais personalizado, flexível e orientado para a realização pessoal. Eles procuram trabalhos em que lhes seja permitido serem donos da sua carreira e adapta-la ao seu estilo de vida, ao mesmo tempo em que contribuem para aquilo que crêem ser um propósito maior. Isso não significa que o conceito tradicional de trabalho esteja a desaparecer, mas sim que está a num claro momento evolutivo para se adaptar às necessidades e desejos de uma nova geração de trabalhadores.

Foto de Clark Tibbs na Unsplash

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Autor: Raquel Calapez

Eu sou aquilo que escolho ser!

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