Quando a vergonha paralisa!

Como psicoterapeuta, recebo frequentemente pais que estão a ter dificuldades em lidar com o comportamento dos seus filhos, quando é excessivamente marcado pela vergonha. Isso pode-se tornar um grande desafio para os pais, pois a vergonha pode afetar negativamente a autoestima, autoconfiança e bem-estar emocional das crianças.

A vergonha é uma emoção que pode ser usada por motivos diferentes por crianças em relação a outras pessoas, dependendo do contexto e da dinâmica social envolvida. Algumas crianças podem usar a vergonha como uma forma de se proteger de possíveis rejeições ou desaprovações dos outros, tentando evitar comportamentos que possam prejudicar a relação.

Por exemplo, uma criança pode sentir vergonha de falar sobre os seus verdadeiros sentimentos ou opiniões em numa situação social para não ofender ou desagradar os seus amigos ou familiares. Ou, uma criança pode sentir-se envergonhada por pedir ajuda ou apoio, mesmo quando precisa, para não parecer fraca ou dependente aos olhos dos outros.

No entanto, o uso excessivo da vergonha como forma de evitar conflitos ou manter uma fachada de perfeição pode ter efeitos negativos na saúde mental e emocional da criança. A criança pode sentir-se inadequada, insegura e ansiosa por ter que esconder os seus verdadeiros sentimentos ou necessidades. Além disso, a vergonha pode afetar negativamente a autoestima e autoconfiança da criança, levando a problemas emocionais mais sérios, como ansiedade social, depressão e transtornos alimentares.

Portanto, é importante que os pais e cuidadores ajudem as crianças a desenvolver uma compreensão saudável da vergonha e outras emoções, ensinando-as a expressar os seus sentimentos e necessidades de forma assertiva e respeitadora, sem medo de estragar as suas relações. Algumas estratégias podem incluir encorajar a criança a falar abertamente sobre os seus sentimentos e opiniões, valorizar a vulnerabilidade e a autenticidade, e apoiar a criança em momentos de dificuldade ou stress.

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Autor: Raquel Calapez

Eu sou aquilo que escolho ser!

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