Esta semana, durante várias consultas, surgiu o tema das comparações feitas pelos pais. Achei curioso que tantas pessoas referissem o facto de terem sido comparadas com outras crianças e como isso as marcou. No discurso de cada pessoa ouvi frases como: ” o que eu fazia nunca chegava” , ” os outros eram sempre melhores”, ” ficava com vontade de ser outra pessoa”, ” comecei a desistir de fazer”, ” acreditava que não era capaz, e ainda hoje acredito”, ” a minha irmã era sempre a melhor”, ” tudo o que faço não tem qualidade”, “acho sempre que me vão gozar ou criticar”, “comecei a querer deixar de ser eu, tornei-me naquilo que queriam para mim, e agora não sou nada, não tenho vontade de nada”.
Realmente a forma como falam connosco quando somos crianças, torna-se a nossa voz interior, e o desafio na vida adulta é silenciar esta voz e aprendermos a ouvir a nossa própria voz, que grita baixinho a implorar que a deixem falar.
Porque temos tanta necessidade de comparar? Porque queremos tanto ser sempre igual à alguém e acabamos por nos esquecer de sermos nós próprios? Porque sentimos tantas vezes vergonha daquilo que somos, pensamos, sentimos?
Proponho um desafio … vamos procurar aceitar tudo o que somos, pensamos e sentimos e fazer o mesmo com as nossas crianças. Sejamos gentis connosco e com elas, para que possamos tratar-nos a nós próprios e aos outros com respeito, responsabilidade e gentileza!
E porque a palavra aceitação levanta sempre muitas questões… aceitar, não é concordar! Aceitar, é não lutar contra, é respeitar e integrar… é substituir o julgamento pela curiosidade!
Raquel Calapez
